Esta fotografia é uma metáfora visual. Simboliza o núcleo de Vida, entendendo-a como a Natureza, as Gentes e as suas Culturas, rodeados pela adversidade.

É um sinal e um clamor em memória dos povos da Peneda e do Gerês.



sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Director do PNPG lança a confusão no Gerês


Perante uma questão concreta, colocada por uma das mais de duas centenas de pessoas que ontem participaram na sessão pública de esclarecimento no Gerês, o Director do PNPG viu-se atrapalhado e lançou ainda mais confusão nas gentes da Peneda Gerês. A questão colocada era muito simples, saber se um avô que estava a passar férias no Gerês poderia passear com os seus netos pela Mata da Albergaria, ou se teria de pedir autorização, pagar a respectiva taxa e esperar 45 dias pela resposta?
O sr. Director, como qualquer pessoa de bom senso, disse logo que sim e mostrou-se até aborrecido com a questão, pois não se pretendia impedir este tipo de visitação. Mas, logo a seguir, o seu adjunto para os negócios do turismo, veio corrigi-lo e dizer que o eles pretendem é de facto obrigar o avô a requerer autorização e pagar a taxa para poder passear com os netos no Gerês.
Mas para espanto da plateia, veio o relato de um episódio triste que nos alerta para o despotismo e falta de senso de quem dirige e fiscaliza o PNPG. Um nosso vizinho, que usa frequentemente a estrada da Bouça da Mó para se deslocar a Espanha, há dias tomou a iniciativa de arranjar um talheiro para evitar ainda mais a degradação da via. Não é que uma equipa de fiscalização que ali passava no momento o queria multar por ele estar a querer proteger a estrada, conduzindo a água para a valeta?
Também aqui no Gerês houve grande participação e debate. Foram colocadas dúvidas muito pertinentes:
- como se procederá ao arranjo das cabanas em zona de protecção total e parcial tipo I, se a lei só permitir a sua demolição?
- no conceito de pastoreio tradicional estão incluídas as queimadas, a limpeza de linhas de água e o corte de lenha?
- o que são trilhos existentes para efeitos de visitação?
- porque é que as gentes da Ribeira foram excluídos?
- o que significa população local na proposta de regulamento?
- porque é que não se requalificam os Carris?
O clima esteve muito tenso e os protestos foram inequívocos perante uma proposta de regulamento absurda, que despreza as actividades locais e impede o desenvolvimento socioeconómico das populações locais.
Esperamos sinceramente que a passividade do novo Presidente da Câmara Municipal de Terras de Bouro, não tenha sido influenciada pela presença do seu antecessor. Trata-se do Concelho com a principal área de ambiente natural (Gerês) e é aquele que mais é desprezado pelos responsáveis pelo PNPG.
Está mais que demonstrado que estes documentos terão que levar uma reformulação profunda. Será, porventura, o momento adequado para interromper toda esta trapalhada e iniciar-se um novo processo com a efectiva participação das populações locais. Só agora é que parecem que nos estão a ouvir!
Sr. Director, os seus colaboradores andaram a enganá-lo este tempo todo, já percebeu isso. Ainda está a tempo de corrigir os desmandos de técnicos que parecem alucinados atrás da miragem dos fundos comunitários pós 2013.
Vamos completar o ciclo das sessões de esclarecimento mantendo esta força e esta união natural, em torno da defesa dos nossos direitos e da Peneda Gerês.


Daniel Rocha, um dos participantes no debate escreveu a sua intervenção que pode ler aqui.

Um comentário:

  1. Está visto que querem criar uma reserva onde a população não é bem vinda, pelo contrário, a menos que queiram repovoar com indios. Esta politica de só olhar para a frente e tapar os ouvidos, em nada beneficia o PNPG, pelo contrário... É por isso que cada vez é consumida mais área florestal pelos incêndios florestais, porque não se trabalha em conjunto com os pastores, não se fazem acções de prevenção, nada... apenas a proibição absolutista!

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